Maio 4, 2013
sobre cozinha vegetariana, pai, mãe, mulher e pasta de curry verde

A Thais, minha carametade, descobriu há algumas semanas o Papacapim, blog da Sandra Guimarães, que tem como proposta “desmistificar” a culinária vegana (dá pra ler mais sobre a Sandra e o blog dela aqui). Dei uma especulada lá e achei tudo muito bacana.

Gosto de cozinhar. Vem de família. Minha mãe vivia às voltas com livros de receitas e programas de culinária, inventando pratos que nem sempre davam muito certo; meu pai sempre levou jeito pra coisa, mas é do tipo rústico: seu repertório é formado basicamente por receitas ricas em gordura, onde a carne (seja de boi, porco, frango - miúdos de todos incluídos) sempre foi o ingrediente principal (quando não o único). Seus temperos favoritos: alho e sal. A propósito, a mãe é gaúcha de Passo Fundo; o pai nasceu em São Borja.

Desde que começamos a viver juntos, a Thais tem me reeducado. Quando a conheci, meus pratos eram híbridos da invencionice rica em temperos, de minha mãe, com a rusticidade farta em gorduras animais, de meu pai. Aos poucos, ela foi me apresentando a novos sabores. E me ensinando o valor da sutileza. Nesse processo, aprendi, entre outras coisas, que dá, sim, pra prescindir do arroz em uma refeição. Que um arroz integral ou sete cereais não precisa ser necessariamente insosso. Que dá pra fazer feijão sem bacon - e gostar.

O último passo dessa transição tem a ver com a proposta da Sandra Guimarães para ajudar combater o consumo de alimentos de origem animal no mundo: reduzir o consumo diário desses produtos pela metade. O argumento dela é que pra muita gente, parar de comer carne parece uma atitude radical demais, o que torna a decisão difícil, mesmo pra quem simpatiza com os argumentos que tratam dos danos da pecuária para o meio ambiente e para a saúde. Reduzir pela metade, no entanto, é razoavelmente fácil. E já traria benefícios consideráveis para o planeta.

Meu esforço nesse sentido, confesso, tem menos a ver com o planeta que com o coração e o fígado. Gordura animal, para sedentários como eu, é uma tragédia, a longo prazo.

Mas não é o receio desse longo prazo que me move. Tem algo mais imediato. É que à medida que os anos passam e vou caminhando para a casa dos 40, sinto que meu corpo já não resiste tão bem às agressões que lhe impinjo. As ressacas são cada vez mais fortes. E a azia tem dado as caras com uma frequência inédita nos últimos anos. Enfim. Não há grande nobreza no meu gesto de reduzir o consumo de carne.

Falei pelos cotovelos só pra dizer que ontem fiz lá em casa uma receita de curry com vegetais que, originalmente, pedia pasta de curry verde. Como eu não fazia a menor ideia de onde encontrar isso e, no meio do feriado, seria bem difícil de achar uma loja de produtos asiáticos aberta, me virei com um curry madras que tinha lá em casa. Mesmo com os improvisos, devo dizer, sem modéstia, que ficou bom. E por ter ficado bom, apesar dos improvisos, fiquei me perguntando como seria se eu tivesse usado a pasta de curry verde mesmo. Atormentado pela curiosidade, hoje resolvi pesquisar e descobri esta loja aqui, que vende produtos orientais e entrega em casa. Só que resolvi ir mais longe, e achei ainda três receitas, com níveis de complexidade diferentes, que ensinam a fazer a pasta de curry verde em casa.

Assim que tiver tempo de passar na feira, vou experimentar.

Pra quem ficou interessado, seguem as receitas:

A receita da Folha

10 pimentas-verdes grandes
15 pimentas-malaguetas verdes
2 cebolas-roxas
1 bulbo de alho fatiado
1 talo de capim-limão
20 g de gengibre
1 colher de chá de casca de limão em fatias finas
1 colher de chá de raiz de coentro picada
1 colher de chá de semente de coentro
1 colher de chá de semente de cominho
½ colher de chá de noz-moscada ralada
½ colher de chá de sal
1 colher de chá cheia de pimenta-do-reino preta
½ colher de chá de açafrão-da-terra em pó
Passe tudo por um pilão e soque até ficar homogêneo. Dura um mês no freezer

A receita do Panelinha, da Rita Lobo, a bela

2 colheres (sopa) de pimenta verde fresca sem sementes
1 colher (chá) de cúrcuma
1 saquinho de chá de erva-cidreira
1 colher (chá) de gengibre
1 colher (chá) de cebola roxa
1 colher (chá) de raspas de limão
1 colher (chá) de coentro picados
1 colher (sopa) de alho picado
1 colher (sopa) de pimenta-do-reino em grãos
1/2 colher (chá) de sementes de coentro
1/2 colher (chá) de sementes de cominho
Modo de Preparo
1. Separe todos os ingredientes pedidos na receita.

2. Num processador de alimentos, coloque todos os ingredientes e bata até formar uma pasta homogênea. Se preferir, use um pilão.

A receita do Jamie Oliver, o pop

2 dentes de alho
Capim-limão
Pimenta habanero (ou a de preferência)
Um maço de ceblinha
Um maço de coentro
Uma ou duas folhas de limão kaffir
Um gengibre
Azeite de oliva
2 limões
Óleo de gergelim
Molho shoyo

Modo de preparo do molho:
Esprema o alho e corte a ponta do capim-limão e descasque a folha de fora como se fosse um aipo para usar somente a parte macia. Com uma faca, bata no capim-limão e, em seguida, pique, juntando ao alho picado. Jamie Oliver sugere que você pode usar a pimenta que gostar mais, mas na receita a utilizada é a pimenta habanero. Pegue a cebolinha e corte as pontas. Agora alinhe o maço de cebolinha e corte suas raízes. Reserve junto com o alho, o capim-limão e a pimenta. Corte o gengibre no tamanho aproximado de um dedo e junte aos outros ingredientes.

Maio 4, 2013
"Tradicionalmente, cada forma básica de liberalismo aparece necessariamente como o oposto da outra: via de regra, os defensores liberais multiculturalistas da tolerância combatem o liberalismo econômico e tentam proteger os mais vulneráveis das forças desregradas do mercado, enquanto os liberais de mercado defendem os valores familiares conservadores e assim por diante. O que temos, portanto, é o duplo paradoxo do direitista tradicional, que apoia a economia de mercado e ao mesmo tempo combate com ferocidade a cultura e os costumes que ela engendra, e seu contraponto, o esquerdista multiculturalista, que combate o mercado (cada vez menos, é verdade, como observa Michéa) e ao mesmo tempo fortalece com entusiasmo a ideologia que ele engendra. (Há meio século, a exceção sintomática era a inigualável Ayn Rand, que defendia o liberalismo de mercado e o egoísmo individualista radical, destituído de todas as formas tradicionais de moralidade relativas aos valores familiares e ao sacrifício pelo bem comum.) Hoje, entretanto, parece que entramos numa nova era, em que ambos os aspectos podem se combinar: personagens como Bill Gates posam de radicais do mercado e filantropos multiculturalistas.
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Slavoj Žižek, Vivendo no fim dos tempos

Maio 3, 2013
Primal Scream - Trainspotting by Trainspotting Soundtrack on Grooveshark

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Maio 3, 2013
61 Impressões de um irlandês sobre o BRASIL - Sedentário & Hiperativo

Maio 2, 2013
Foods of a Pantone colour - Lost At E Minor: For creative people

Maio 1, 2013
Vintage ads promoting benefits of weight gain for women - Lost At E Minor: For creative people

Maio 1, 2013
Vintage ads that are so bad, they're good - Lost At E Minor: For creative people

Maio 1, 2013
Bolha de carbono pode jogar mundo em nova crise financeira

Maio 1, 2013
Reading Marx's Capital with David Harvey

O David Harvey já tá bem adiantado em suas leituras do volume II d’O Capital, de Marx. A primeira série de aulas/palestas, em torno do volume I, deu origem ao Para Entender o Capital, publicado no Brasil pela Boitempo.

Maio 1, 2013
sobre a morte do demônio, zumbis, apocalípse e mudança climática

Interessante como a associação entre sexualidade e terror aparecem com certa regularidade nas análises do cinema. A crítica do Bruno Carmelo para o remake de A Morte do Demônio, publicada no Outras Palavras, me fez lembrar de um artigo lido há algum tempo no The Guardian, em que o autor fazia uma relação entre os filmes de zumbis e a mudança climática.

Três trechos da crítica de A Morte do Demônio me levaram a isso. Num deles, o autor fala do gênero assim: (1) “O mundo dos filmes de terror é um universo sem regras nem leis – os policiais são pouquíssimo eficazes nestas histórias – de modo que mesmo Freud sugeria que a função das obras de terror era expiar um desejo inerente ao ser humano, saciando os impulsos violentos do indivíduo sem que ele precise tornar a agressão real”.

(Comentário: às vezes - só às vezes - me parece que o tom apocalíptico que perpassa a discussão em torno do clima oscila entre o medo da barbárie - expresso nas advertências sobre o caos que sobrevirá à tragédia do aquecimento global - e o desejo inconfesso de que essa ela venha, sim, para nos liberar das pressões de um mundo que, apesar de se descrever como libertário e permissivo, regula cuidadodamente cada manifestação do desejo, que: ou fica restrito espaços específicos, em geral privados, onde perde seu potencial explosivo; ou é sujeito a uma superexposição que o esvazia).

A crítica continua: (2) “O prazer deste filme vem de sua idealização da morte, de sua noção de um destino perverso e cruel, que bloqueia todas as possibilidades de escapatória, liberando todas as possibilidades de crime. O roteiro fornece aos personagens as armas, os corpos e diz: Divirta-se”.

E termina assim: “As soluções do tipo ‘foi tudo um sonho’ não existem nesta trama”.

Em seu artigo, no Guardian, Shaw identifica na narrativa clássica uma estrutura dialética: “Stories generally have three elements; a thesis (the existing order), the anti-thesis (the thing that threatens to disturb that order) and the synthesis (the new order that emerges after the threat has been dealt with). That is what gives a story its narrative arc and tension”. Para ele, a as histórias de zumbis não apresentam a mesma estrutura, mas outra que reflete melhor o cenário atual: “The great thing about proper zombie films is that they play havoc with this structure. There is a thesis and an anti-thesis but no synthesis. The zombies are never destroyed and no new stable order emerges. And that, I fear, may be the truth of the climate change story”.

E é isso. Não sei exatamente onde quero chegar com essas aproximações.

Abril 30, 2013
Vietnam War veterans by Jeffrey Wolin / Portraiture / Photography Hubs and Blogs

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Top Documentary Films - Watch Free Documentaries Online

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O futuro dos games

Como os games estão ficando caros demais para produzir, inovação virá dos desenvolvedores de jogos independentes, que têm mais apetite pelo risco

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